Pai, eu lembro…
Autor: Karla Fioravante | novembro 1, 2009
Lembra aquela vez que a gente sentou na varanda de casa e fomos contar as estrelinhas e você me disse que ia me dar uma? … Eu lembro Pai… Nossa casa era de tábua, o chão era vermelho, mas brilhava… A cadeira que a gente estava eram aquelas de fios multicores… Eu lembro Pai…
Lembra que a gente ficava diante do espelho e você me perguntava: Quem é branco? E eu respondia: Eu!!! E você com sua pele mais escura, perguntava – E quem é negro? E eu quando estava conhecendo as cores respondia: Você! – O espelhinho era pequeno, mas a sua presença era grande! Eu lembro Pai!…
Lembra aquela música que você cantava quando a gente se sentava no sofá abraçadinho? – Minha florzinha… De abacate – Ô coisinha tão bonitinha do Pai… E a música era só isso, mas o seu timbre eu guardo até hoje, inconfundível… (suspiro) Eu lembro Pai..
Aos domingos eu corria pra sua cama de manhã e dormia no meio entre você e a mãe. O dia amanhecia quieto. A mãe se levantava e a gente ficava: 1, 2, 3 e… (Umas 30 vezes até a gente conseguir se levantar!) A nossa brincadeira era ficar brincando de levantar… Lembra Pai?
Quando eu aprendi a tocar violão, você lembra a música que a gente cantava? – Meu Ipê floridooooooooooooooo, junto à minha sela… Hoje tem altura da minha janela! – Eu “tirava” todas as musicas que você gostava, para aos domingos a gente cantar juntos. Eu lembro Pai!…
Lembra aos finais de semana, quando seus amigos (que hoje estão tão longe de você) iam nos visitar! Você os fazia rir… Imitava vários personagens… (risos). Como eu me pareço com você! Herdei seu humor, suas “tiradas” engraçadas… Como eu me lembro Pai!
O tempo passou! Eu cresci… Fui viajar, cantar… E você continua sendo meu “neném”, “meu preto”, “meu menininho”! Ah, Pai… Como eu sinto saudades de ser criança só para você brincar comigo! Daria a vida por ti e como foi dolorido te ver adoecer! Eu viraria o mundo para que você ficasse vivo! Você homem forte, venceu! Eu não me esqueço, Pai, nunca! De nada… E de tudo que seu carinho me fez ser!
Hoje você é calado, nem sei ao certo o que se passa dentro de sua alma!
Sabe, quando a gente cresce percebemos que os pais são frágeis, mas nunca deixam de ser nossos heróis. E, eu sei, independente do tempo, que você nunca vai deixar de ser meu herói.
Nunca esqueça Pai, você pra mim é sempre, é dia-a-dia, é saudade mesmo presente, é falta quando passo dias fora de casa e você está me esperando sempre no portão…
Lembra Pai? Você me prometeu que sempre me esperaria… Eu volto Pai… Eu volto!
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Pessoando…
Autor: Karla Fioravante | novembro 1, 2009
“A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-se dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é possivel viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: Não és livre. E não está contigo a tragédia, porque a tragédia de nasceres assim não é contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, porém, se a opressão da vida, ela própria, te força a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a penúria te força a conviveres. Essa, sim é a tua tragédia, e a que trazes contigo.
Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela.
A morte é uma libertação porque morrer é não precisar de outrem. O pobre escravo vê-se livre à força dos seus prazeres, das suas mágoas, da sua vida desejada e contínua. Vê-se livre o rei dos triunfos que adoram. Os que venceram vêem-se livres das vitórias para que a sua vida se fadou.
Por isso a morte enobrece, veste de galas desconhecidas o pobre corpo absurdo. É que ali está um liberto, embora o que não quisesse ser. É que ali não está um escravo, embora ele chorando perdesse a servidão. Como um rei cuja maior pompa é o seu nome de rei, e que pode ser risível como homem, mas como rei é superior, assim o morto pode ser disforme, mas é superior, porque a morte libertou.
Fecho, cansado, as portas das minhas janelas, excluo o mundo e um momento tenho a liberdade. Amanhã voltarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, receoso apenas que alguma voz ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos de excelsis.
Na cadeira, aonde me recosto, esqueço a vida que me oprime. Não me dói senão ter-me doído”.
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa, composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, p. 278
Palavras tão perfeitas, falam por mim! – No momento do título!
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Questione?!
Autor: Karla Fioravante | outubro 29, 2009
“Quando não somos capazes de entender alguma coisa, procuramos desvalorizá-las com críticas… Um meio ideal de facilitar nossa tarefa”… Sigmund Freud
Por que eu tenho um ponto de vista? – Porque é o ponto chave da expressão, de existir! Se eu não questionar… Serei mais um diante de tantos!
Lidamos com facilitadores diariamente! Justificamos nossos comportamentos, argumentamos nossas faltas, respondemos diretamente a nós mesmos… mecanicamente!
E, novamente observando algumas situações é notável que quando há críticas sem fundamento ou sem conhecimento de causa, existe um julgamento de valor pré-conceituoso. Quando se observa uma colocação assim é considerável questionável…
Volto a questão das verdades absolutas, que dependendo da ótica tão somente são modos de pensar… respostas prontas diante de algumas situações. Lidamos com o senso comum, algo que vem há anos, cultural, ditados… clichês e assim por diante… Mas, o que são verdades?
Cada qual tem um ponto de vista diante de algo. [Lamento aqueles que não tem um ponto de vista...] Porque acreditam naquilo que ouvem sem saber a veracidade. Isso vemos todos os dias, e até demais…
Ouvimos os que estão a frente falar, e dizemos: “É bem assim!” – Por que é bem assim? Questione! Não aceite as coisas sem procurar digeri-las…
Mantra da Humildade: não preciso saber o que é a ‘coisa em si’, mas devo saber o que eu penso sobre a coisa…
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Fraseando…
Autor: Karla Fioravante | outubro 28, 2009
“Neuróticos sofrem de reminiscências…(SF) e os “normais” sofrem por expectativas”….(KF)
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Pessoas quase…
Autor: Karla Fioravante | outubro 4, 2009
Estamos aprendendo, por vezes engatinhando sobre alguns conceitos culturais, regras… Dirá sobre as pessoas!… Somos um emaranhado de conflitos. Dias estamos bem, sentimos saudades, amamos, queremos ser notados. Noutros queremos ser uma ilha, invisíveis, nos afastamos de todos aqueles que nos cercam, nos escondemos de nós mesmos! Não existe manual para lidar com as pessoas, nem conosco mesmos!
Não gosto da idéia de andar armada, mas é inevitável! O relacionar-se pode levar à humilhação, a exposição! Pode gerar um sentimento de decepção seguido de indignação. Ou pode ser o oposto! Devemos com a percepção da vida observar o que nos causaria tais relações… pois, são sempre surpreendentes, sejam elas de longe ou de perto! Em até certo grau possuímos nossa auto-suficiência, prepotência, nossos elementos narcísicos, nossas confusões e imaginações, algo que também observamos no outro, nos outros… Mas, o pior de todos os males é a nossa dificuldade de aceitar nossas próprias verdades. Estamos em uma linha tênue entre o normal e o pontilhado. Trazemos conosco potencialidades e características únicas, o que nos torna únicos, sem igual! Importa é termos a capacidade de não julgar o outro, de não apontar… Observar o ser humano é uma arte…
Interessante é quando em nós e nos outros em algum momento somos quase, ou perecemos no quase…
Percebamos os que:
Quase se formaram, quase terminam um curso, quase casaram, quase namoraram, quase fizeram errado, quase nos conheram, quase foram ao show da vida delas, quase se converteram, quase foram morar em outro país, quase viajaram para o lugar dos sonhos, quase realizaram um fato inesquecível, quase souberam lidar com uma situação, quase aprenderam a tocar um instrumento, quase moraram sozinhas (os), quase foram a um karaokê, quase beberam, quase tiveram um filho, quase gastaram muito, quase passaram fome, quase foram num parque de diversões, quase gritaram no pico de uma montanha, quase fizeram natação, quase fizeram história, quase….
Alguns quases passaram e não voltam mais… Alguns há tempo de ser fato! Não por medo, por receio… Encare de frente o que vc é… Quase falta pouco… Sabemos o que nos agrediria como pessoas, o que nos faria andar por caminhos errados, mas somos livres para realizar aquilo que palpita forte em nós… Que seus ‘quases’ não sejam atos de irresponsabilidade, mas um grito de sua alma para algo que vc espera realizar…
O tempo é hoje…
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Posso?
Autor: Karla Fioravante | setembro 22, 2009

Posso me sentar hoje ao seu lado e apenas ser eu?
Posso ficar em silêncio ouvindo o tempo, sem que tenhamos que ir embora?
Posso falar de mim, sem que haja um julgamento após, sem que me apontes ou diga que estou certa ou errada?
Posso sorrir sem explicar o porque? Ou ficar séria sem ter que justificar o que se passa comigo?
Posso chorar no seu ombro e pedir-te um abraço, pelo fato de crer no afeto que nos une, sem mais?
Posso reclamar, lamentar, espernear sem achar que um dia você vai repetir para eu mesma o que eu disse?
Posso te ofertar uma mão amiga quando precisares de mim?
Posso escrever o que sinto, cantar uma canção, olhar nos teus olhos ou sumir de vez em quando?
Posso ficar verborrágica, falando bobagens, contando coisas antigas, ou divagando pelo futuro?
Posso falar de inglês, filosofia, psicologia, e muito Freud, mesmo que você não entenda e mesmo que eu não saiba de nada sobre isso?
Posso cometer algum erro, vacilar, tendo a certeza que você não vai se afastar?
Posso pintar a vida com cores cinza e preto, ou de repente a colorir sem que você se surpreenda com minhas atitudes?
Posso ser mistério, ou objetiva?
Posso ser sincera sempre, honesta com o que sinto, sem que você entenda que é para seu mal?
Posso ficar brava, fazer dengo, ficar de birra, ser teimosa?
Posso ter medo sem que você me julgue fraca?
Posso não ter tempo ou ter muito tempo?
Posso ser presente, ausente, constante ou inconstante?
Posso mudar de idéia, escolher outro caminho, traçar novas metas, cantar outras canções sabendo que posso contar com você?
Posso me revoltar, me magoar, estressar no trânsito, andar devagar, atrasar, ou adiantar que sei que vais me esperar e entender?
Posso esperar não ser cobrada, sentir sua falta e não dizer nada?
Posso fechar os olhos e confiar no que me dizes?
Posso abrir a porta? – Aonde está a chave?
(…)
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Em certo…
Autor: Karla Fioravante | setembro 18, 2009
“Gosto de esquecer onde estou, quando escolhi não estar mais… ” Maio/2009.
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Gravi-dade!
Autor: Karla Fioravante | setembro 17, 2009
… [O que aconteceu na luz, atua nas trevas]: mas também o contrário. Aquilo que vivemos no sonho, e que nele vivemos repetidas vezes, termina por pertencer à economia global de nossa alma, tanto quanto algo ‘realmente’ vivido: em virtude disso tornamo-nos mais ricos ou mais pobres, temos uma necessidade a mais ou menos, e afinal somos um pouco guiados pelos hábitos de nossos sonhos, em plena luz do dia e até nos momentos mais serenos do nosso espírito desperto. Supondo que alguém voe com frequencia nos sonhos e que enfim tome consciência, ao sonhar, de um poder e arte de voar que seria privilégio seu, e sua felicidade mais particular e invejável: além que creia poder realizar toda espécie de curvas e ângulos com o mais etéreo impulso, que experimente a sensação de uma certa leveza divina, de um ‘pra cima’ sem esforço e tensão, de um ‘para baixo’ sem condescedência e humilhação – sem gravidade! Como poderia uma pessoa com tais experiências e hábitos nos sonhos não achar finalmente que a palavra ‘felicidade’ tem cor e definição diferentes também no seu dia claro? Como não teria ela um diferente – anseio de felicidade? A ‘elevação’, tal como descrita pelos poetas, deve lhe aparecer, comparada a esse ‘vôo’, demasiado terrena, muscular, violenta, demasiado ‘grave’. Friedrich Nietzsche, Além do Bem e do Mal p.93…
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Desassossegando…
Autor: Karla Fioravante | setembro 15, 2009
Até onde chega o silêncio – sem, com – todos os seus motivos? Chega-nos através dos atos/atitudes…
Nós, humanos… ainda não aprendemos a esquecer com um simples fechar de olhos durantes as noites, neste caso, o tempo não cura. Não quero falar de tempo. - Qual seria pois, o sentido de se gostar quando é preciso esquecer?
Ah, por um momento eu tinha ‘esquecido’ que o gostar é um conceito cultural, muda tal qual estações. Banalizam sentimentos e jaz os contribuintes à uma nova ciência. Arrancar da mente quem/o que devemos esquecer. Não estou procurando respostas, as esqueci em algum lugar na estrada, apenas cansa-me tantas hipóteses.
Chega-se a certo ponto literal: “A vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação. Na dúvida, há um ponto final” Bernardo Soares… E eu continuo, na dúvida: não ultrapasso! Certamente em algum momento já ultrapassei, hoje não mais. Existe um nível a chegar, um “limite” mental para a sanidade… Algumas interpretações eu dispenso, apenas pontuo. Sem ir além.
Pessoas e seus espaços! Há de ter espaços para cada qual ou está quem deve ficar? Sem ademais intervenções ou interpelações! – “Acalma-te, Oh Alma Inquieta, sedenta de respostas – Alguém me perguntou algo?”.
Ah, me esqueci.. Não quero falar de tempo, nem de argumentos, logo esqueçamos! As músicas continuarão a tocar, o trânsito continuará o mesmo, os parques florirão, os atores encenarão… Representemos nossas fases, nossas curtas frases e fases! Palavras…
Silêncio é um grito sem voz! Um grito de não ser importunado ou um grito para ficar trancado! Findaram os vocabulários. Avante às revoluções em busca de um silêncio pacifico. Voltemos ao findar-se. Quando algo dói demais costuma calejar…
Esvazia alma, esvazia!…
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RÁDIO AMÉRICA
Autor: Karla Fioravante | setembro 12, 2009
Oi Pessoas!!!
Tenho novidades!
No dia 05/10/2009 às 20h começarei a aprensentar um programa semanal (todas as segundas) na Rádio América, uma canção nova em sua vida! – São Paulo 1410 AM, estaremos unidos em mais esse vínculo de comunicação…
Ouça a rádio pela internet!
http://blog.cancaonova.com/america/radio-america/
Participe pelo twiiter das gravações dia 23/09! Sigam-me! Deixarei mensagens sobre o tema e as músicas do programa, e vc poderá ouvir a sua mensagem no dia da inauguração: 28/09!
Escreva e participe de brindes nos finais dos meses: ensaios@cancaonova.com
Aguardo a participação de vocês!
Grannnde abraço!
Karla Fioravante
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