| Por tantas vezes eu quis fechar de vez aquela porta… O barulho lá fora estava ensurdecedor… Tapava os ouvidos! E o meu barulho interno me ensurdecia. Na incapacidade de fechá-la: Abri.
Eu tentei fugir, fiz que não via, que não ouvia! Mas, morria por dentro… Uma morte em vida, que não há como mensurar em silêncio.
Procurei novamente por barulhos…
O que acontece? Será que os barulhos pertencem a minha incapacidade de fazer silêncio? – Preciso fechar os olhos, pois aqueles detalhes do entreaberto me chamavam a voltar. A abrir a porta e seguir…
Eu não quero voltar, quero ficar às escuras como se a promessa do tempo fosse apagar as luzes. E eu as cumpriria como se aquilo fosse a verdade absoluta de mim…
Entre sons e silêncios! As portas do meu mundo ora se fecham, ora se abrem…
Talvez eu prefira as portas fechadas, as ausências, as partidas, os cinzas… Porque não suporto a certeza do hoje, sabendo que o amanhã não me permitirá que alguns permaneçam…
A vida é parto, partida… Saída para…
Não sei se conseguirei fechar de uma vez a porta e permanecer no silêncio e no escuro. Então, vou deixando as frestas… Mas, a maior parte a porta se mantém fechada…
Não entre sem bater!
As janelas da frente são de vidro, quebradiços. Fico invisível aos que passam… Olham-me se me ver, escutam-me sem ouvir…
Meus olhos ainda insistem em olhar… Em perceber! Que busca é essa que nunca finda?
(…) Ouvi um barulho além de mim, cujo som soou como fechadura… Apagaram as luzes, fecharam a porta…
E eu…
Fiquei aqui, de fora…
- Entre! As janelas são transparentes…
|
novembro 13th, 2009 at 12:02 am
Convida-me a entrar pela janela do teu olhar…
novembro 13th, 2009 at 12:25 am
É incrível a capacidade de textos alheios falarem por nós…
novembro 13th, 2009 at 1:54 am
“Os seus olhos são espelhos d’água. Brilhando você, pra qualquer um. Por onde esse amor andava…?”
E ela apareceu… Nem sabia que no confluir de tantos sentidos, só um bastaria.
A porta estava aberta, quase sempre ficava.
Era o 1º dia, iríamos aprender música, não a fazer, mas a sentir… “conservaríamos”.
O sol brilhava tão intenso… As janelas eram enormes e só vidro… só luz… transparência e refração. Mas naquele momento, estava tudo num só lugar: porta, janela, chave, transparência… Luz!
Meus olhos não piscavam… e quando lembro ainda refletem.
Instalou-se atrás, ao meu redor, e pude perceber… som que nunca ouvi antes a acompanhava; dela vinha. Nada mais de barulhos e ruídos, escuro ou cinza.
Fui descoberto, por notas consonantes que só com a menor das frestas iluminou, inundou, ressoou…
Ela me viu… não fui mais o mesmo. De invisível tornei-me… notável. Adentrou, instalou-se…
Hoje, além da lembrança deixou saudade e harmonia…
As janelas esperam novo raiar. A porta fechou, mas Quem abrirá?
Uma nova melodia…
novembro 13th, 2009 at 12:28 pm
Cantemos a melodia dos recomeços!…
novembro 13th, 2009 at 5:44 pm
Perfeitas palavras que fluem numa suavidade inexplicavel. flutuo sobre cada frase e insiro-me, por momentos, em cada sentido que se exala no texto… Inspiração Divina.
novembro 14th, 2009 at 6:13 pm
Texto visceral, Karla.
Compartilho muito das reflexões traçadas…
Um bjo.