Exercício…
Autor: Karla Fioravante | março 7, 2010
Meus dedos escolheram digitar… Decidi dar ênfase à razão de estar aqui, como um sentido de exercer a liberdade de poder manifestar aquilo que se passa por mim! Assumir tal transformação do mundo interno em externo em questão de minutos, como se isso me tornasse mais leve. Sem função construir algo, ou algum tipo de pensamento! Apenas no que considero observável… E ainda bem que o faço! Ainda bem que posso vislumbrar tantas situações e poder dizer que não sou a única a viver algumas. Tendo em mim a possibilidade verídica de crítica, sem temor. Não apenas na intencionalidade de identificação, mas simples e direta forma de expressão.
Não quero produzir ideias, nem idealismos, ilusão do real! Não levanto bandeiras, a verdade pode ser plural. E me soa como muito um lugar no universo. Um lugar de passagem! Pois é isso que a cada dia consigo concluir. O que ocorre conosco em relação ao que somos? Pensar e sentir a vida… Saber-me individuo, cheio de expectativas, vivências, loucuras, estruturando-me para num momento semibreve desestruturar-me! Faz parte da finitude humana.
Não espere nada de mim, a não ser o que sou! Por vezes agradando, por outras não! Ora sou processo, ora estrutura, ora manifestação, ora relação… Ora conteúdo, ora experiência! Tenho um intuito de contar segredos a mim, principalmente aqueles que ainda não tive coragem de me contar! Fenômeno humano de ser ‘eu’… Se o fizer, será na capacidade de me assumir frágil. Enclausuro-me…
O que me é possível em maioria são estimulações e treinos… Ora acerto, ora erro! O que há de mal em viver os dois caminhos, passiveis de me formar? Não tenho acesso a condições necessárias para acertar ou errar, por vezes! Tenho, portanto, a possibilidade de com ambos escolher que caminho vou trilhar! Fui criança, e estou aqui. Tenho alguns lapsos de voltar a tal etapa! Vontade de permanecer em posição fetal. Medo?
Sou um individuo trilhando um caminho… Sujeita à minha própria vida!
Se você passar por aqui posso caminhar junto, na escolha livre de lhe fazer companhia… Se precisar de uma mão amiga, vou estender-lhe! Às vezes vou buscar a mesma força para seguir. Não posso denominar essa reciprocidade de expectativas, pode ser inconsciente acreditar que elas existam, pois conscientemente, quero abrir os olhos e ver que o que se precisa é de espaço! Se não há espaço, não há saudade… E eu gosto de sentir saudade! Tanto que às vezes busco e sou ausência…
O eu vira nós! Mas, tão em breve volto a ser eu, individuo… Para ter imensa e intensa vontade/desejo de reconstrução.
A palavra une, é uma forma de manifestar parte daquilo que por aqui faz reverberar.
Que reverbere!… Sem a intenção de chegar a lugar algum!
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Perfeição…
Autor: Karla Fioravante | fevereiro 23, 2010
E… ela fez uma promessa de que todos os sábados iria vestida de noiva para a igreja, e assim pedia a Deus que enviasse o homem perfeito para que pudesse se casar….
E religiosamente… Chuva, sol, frio, calor… Lá estava ela com seu vestido branco aos pés do altar esperando o noivo perfeito aparecer…
Via a paróquia enfeitada, [quase todo sábado tinha casamento] encontrava muitos olhares curiosos e mudos, que até então não ousavam perguntar o porque daquele vestido branco diante do altar… Respeitavam.
Alguns anos se passaram, o branco deu lugar ao amarelado… E ela, fiel… Todos os sábados!
Certo dia, um homem se aproximou dela e perguntou:
- A vejo todos os sábados aqui, espera por alguém?
Ela: - Sim, pedi a Deus um homem perfeito. Sei que ele virá… Estou cumprindo minha promessa de estar aqui todos os sábados vestida de noiva o esperando!
O homem surpreso:
- Tenho uma história parecida, mas eu encontrei a mulher perfeita.
Com os olhos cheios de esperança ela falou:
- E, então… Casou-se? Está com ela? - Viu, por isso estou aqui! - e, sorriu.
Ele abaixou os olhos:
- Não, não estou com ela, nem me casei… Pois, ela estava a procura do homem perfeito também. E o ser humano perfeito não existe…
[...]
Moral do conto?…..
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(IN) Tolerância…
Autor: Karla Fioravante | fevereiro 23, 2010
A hora chegou!
Talvez eu não tenha feito o que estivesse ao meu limite… Talvez eu tivesse que ter ido além, enfrentado muito mais do que me era possível… Talvez eu pudesse ter dito mais do que disse, ou menos do que deveria. Ter confiado mais… Poderia ter fechado os olhos, dado um sorriso largo e seguir adiante! Poderia ter representado ou ter fechado as portas antes que houvesse um caminho. Ou, talvez tenha feito tudo ao contrário disso!
Resta olhar para o vazio, sem ousar tocar o nada!
Reencontrar motivos, aquietar o tempo no templo de nós mesmos! É assim que a vida vai nos moldando, querendo ou não. A vida nos vive através do que abstraímos, recebemos e como recebemos. Nem sempre a gente ganha, nem sempre a gente perde! Porém, basta! O jogo acabou!
Chega-se o tempo de ir! Não viver o devir, mas deixar o que não é, não ser.
Nessa noite a gente não consegue dormir, ouvimos os gritos medonhos do não compreender! Tentamos buscar zona de conforto… Mas, é tempo de deixar partir!… Ir embora! Aceitemos…
Não há mais sincronicidade, nem vontade! Não há cores, nem sabores… Nem armas, nem julgamentos! Confronto ou afronto! Fim da linha! Dê linha!
Não é! E pronto! Ponto!
Sejamos, pois aquilo que somos… Sem falsa política!
Há um tempo em que precisamos ser diferente em alguns lugares, precisamos de aprovação. Há um tempo em que talvez precisemos nos esconder, para agradar. Outro tempo em que seremos mutação…
Mas, você vai sentir o tempo e a exigência consciente de não mentir para si!
E hoje? É hoje?
Hoje, é tempo de ser o que se é. Não é tempo de brincar com o tempo! Não dá mais para fingir o que não se é, e muito menos o que se é.
Se precisar mude a rota. Refaça o caminho… Retorne ao ponto! Comece um novo, de novo… Vá!
Vamos ouvir? - Tudo Novo de Novo [Paulinho Moska]
Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
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APOTEOSE do Absurdo!
Autor: Karla Fioravante | fevereiro 11, 2010
“Falo sério e tristemente; este assunto não é para alegria, porque as alegrias do sonho são contraditórias e entristecidas, por isso aprazíveis de uma misteriosa maneira especial. Sigo às vezes em mim, imparcialmente, essas coisas deliciosas e absurdas que eu não posso poder ver, porque são ilógicas à vista - pontes sem donde nem pra onde, estradas sem princípio nem fim, paisagens invertidas - o absurdo, o ilógico, o contraditório, tudo quanto nos desliga e afasta o real e do seu séquito disforme de pensamentos práticos e sentimentos humanos, desejos de ação útil e profícua. O absurdo salva de chegar a pesar de tédio aquele estado de alma que começa por se sentir a doce fúria de sonhar… E eu chego a ter não sei que misterioso modo de visionar esses absurdos [...] Absurdemos a vida, de leste a oeste. ”
-p.345 - Desassossego, o Livro do/ Fernando Pessoa.
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Fitar a alma…
Autor: Karla Fioravante | fevereiro 9, 2010
Entrei no metrô e ‘tentei’ olhar nos olhos de algumas pessoas… A maioria desviou de imediato…
E quando alguém nos olha, é a gente que desvia… Fazemos parte da mesma sociedade!
Algumas pesquisas vêm demonstrando que nos sentimos um tanto quanto vulneráveis e perdidos quando alguém nos olha. Tememos ser interpretados, julgados, lidos… E assim, classificados!
O que há com as pessoas? Medo de ser invadidas? Pois, alguns olhares invadem sem pedir licença… Ou, estamos ficando cada vez menos passíveis de integração? Ambos!
Eu acredito que muitas vezes fugimos daquelas pessoas que nos olham e parecem que estão lendo nossos pensamentos. Tanto temos guardado, e o medo que alguém entre sem bater é extremo, neste caso, é preciso tempo… Muito embora, inúmeras vezes acabamos cedendo, pois de certo modo vale muito a pena quando alguém nos olha, além de nos ver, mas essa capacidade de fitar a alma é um dom!
Há muitos olhares vazios e não dá pra confundir um olhar que vê além, com alguém que nos encara de cima a baixo, demonstrando intencionalidades dirigidas. Feeling!
Entretanto, nos dias atuais estamos cada dia menos solidários, mais individualistas, pensando apenas em nossos desejos e vontades… Até quando falamos com Deus, pedimos para que Ele realize as coisas ao nosso tempo, como se Deus nos servisse e não o contrário! Ele DEVE realizar, pois senão nosso coração tão frágil e humano se frustra… E a gente perde a fé!
Somos tomados por um imediatismo tão cruel que até em nossas orações já esperamos o acontecer pra ontem, e nem notamos que se cremos, não é bem assim que as coisas deveriam caminhar… Se cremos, sabemos que Deus nos olha além, e faz parte de nossa entrega entender que há coisas que acontecerão, outras, não! Discernimento…
Porém, voltando ao olhar, a capacidade de envolvimento de quem olha é muito maior. Temos confiança quando durante alguns segundos conseguimos olhar a fundo alguém. Percebemos a empatia, a cumplicidade, falamos e sorrimos, expressamos o não dito, criamos vínculos… Um olhar de afeto gera bondade, perdão, proximidade… Reconciliação!
Tudo passa pelo olhar! Quando não olhamos [ressalva aos tímidos] como vamos dialogar com alguém? Como vamos percebê-los? Uma das maiores belezas do viver seja ela na Philia, Agape ou em Eros é a capacidade de olhar o outro…
Não nos alienemos… Soa como súplica, pois não quero acreditar que estamos passando despercebidos, invisíveis por esse mundo! Vale muito e para o sempre aquelas pessoas que conseguimos em fatos de 10 segundos deixar marcada os traços da nossa possibilidade de sermos gente, capazes de amar e de olhar com a capacidade de eternizar…
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Reencanto…
Autor: Karla Fioravante | janeiro 23, 2010
Hoje amanheci ouvindo o silêncio… Em alguns momentos uns pingos de chuva na janela soavam como percussão… Além do meu próprio coração, que anda querendo entender o fundamento deste bater, por hora tão sem hora, eu me encontro olhando as paredes que me cercam… Ressuscitando da noite, nascendo para o dia… Caminho! Abri os olhos e não vejo o mundo tão comumente… Eu mudei.
Talvez eu seja uma constante metamorfose, porém com algumas certezas do que não quero mais.
Os passos lentos nem com tantas expectativas, nem com muitos ao meu lado! O tempo traz a possibilidade do novo e quando nos encontramos com ele, ficamos como se fossemos crianças buscando aquele brinquedo que se perdeu na bagunça! Resgatando nosso antigo e novo eu.
Voltamos para quando olhamos as situações como uma folha em branco. Algo a escrever…
Fecham-se alguns ciclos, sem que eu mesma não os quisesse fechar. Porém, naturalmente se fecham para outros se abrirem… Provando a possibilidade do céu, do reencanto… E o novo tem esse gosto através da intensidade.
… Busco paz sem ser um clichê!
Aberta a reconquistas…. e ao eterno conquistar!
Brasília 23/01/2010
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Quando uma amizade
Autor: Karla Fioravante | janeiro 10, 2010
Talvez eu esteja nova o suficiente para não definir até onde a empatia, ou um sentimento além das palavras pode transformar duas vidas! Velha suficiente para saber que amigos verdadeiros são para sempre. Não tenho todas as respostas, quisera que alguém as tivesse… Mas, há de se compreender que o amor, a virtude, o bem que temos por alguém, faz de nós seres humanos melhores, prontos a doar a se compadecer, sinônimo de cumplicidade… Aí está a grande sacada de viver: Compartilhar!
Sorriso de amigo nos atinge a alma, faz a luz tomar conta do nosso universo…
São pessoas que se aproximam, permitem se conhecer… Deixam ser amadas! Amar!… E bem dizia Vinícius de Moraes: “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que morressem todos os meus amores. Mas, enlouqueceria se morressem todos os meus amigos…”
… Saudade de amigo é dor sem fronteiras! Não ouso tentar traduzir uma distância, ou apenas o olhar no reencontro!
Há um diálogo que transcende o nosso eu, um abraço que supera a dor mais doída! Um colo que acolhe quando tudo é escuro!
Colo de amigo é eternidade!…
Perdoam-se os nossos erros, falhas, inseguranças… Que nossos extremos sejam perdoados, deixemos os conceitos, lutemos para sermos apenas essência de nós que por vezes é mascarada pelos comuns incessantes de um lamurio sem contexto. Lancemo-nos ao suposto amor maior, sonhemos com os incertos! Sejamos, pois, objetivos e subjetivos no mundo dos silêncios… Quem poderá então compreender, a não ser eu, a não ser você?!
Essência de amigo é caminho em curvas onde nunca estamos sozinhos!…
Lançar-se é gesto de coragem! Que tenhamos então a coragem de errar, que seja então, hoje, amanhã, mas, nunca passageiro. Dentro de um tempo atemporal. Sonhar sem banir os sonhos! Conscientes de que presença no tempo é espaço! Espaço tal que tem soberania, escolha, atitude!…
Olhar de amigo é um sonho de realidade!…
Que os nossos sonhos sejam contados quando nossos corações questionarem os porquês das nossas duvidas e existência… E quando a saudade é ponto sem partida, nosso chão se vai à tristeza da incerteza do permanecer…
Amor de amigo é impar, num universo de pares!…
Seja qual forem as etapas de nossas histórias, envelheceremos com a certeza de que a intensidade dos momentos faz de nós pessoas eternas! Inesquecível se faz o momento em que temos a capacidade de nos abrir para o outro e mostrar algo que os números encobriram!
Não há o que questionar quando uma amizade existe… Apenas vive-la!
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Eu gosto…
Autor: Karla Fioravante | janeiro 4, 2010
“Gosto de simplicidade, mas sou do complexo!
Gosto de pessoas interessantes, que tenham história e que queiram partilhar…
Gosto de gente autentica que me olha nos olhos, que tem a capacidade de ser humano, livre, sem máscaras….
Gosto de ser inteira, não fragmentos. Gosto de ser, não de estar…
Gosto de poesia, música, cheiros… Mas, na medida certa. Tudo em demasia me enjoa…
Gosto de ser buscada, mas não perseguida, rodeada, sondada…
Gosto de surpresas, mas em sua medida…
Gosto da intensidade, sobretudo porque motiva, dá cor, ânimo…
Gosto de perceber, sentir…. Guardar, recordar….
Gosto de ser forte, principalmente quando posso ser fraca sem julgamentos…Afinal, quem nunca foi fraca(o)?
Gosto de diálogos, principalmente quando são inteligentes… Verdadeiros!
Não quero falsidade, diplomacia, boa vizinhança, acordos sem brilho nos olhos…
Não gosto dos rótulos, dos pré-conceitos, eles tiram o natural… Mudam o foco! Mascaram…
Não gosto de covardes, são pessoas que não conseguem assumir o que dizem, muito menos o que fazem…
Não gosto de cobranças, de exigências, de radicalismos… Isso é agressão, violência…
Não gosto de pressão… Relações são conquistas! No banco se pagam contas, as relações são livres!
Não gosto dos excessos, dos extremos, dos fúteis…de verborragias…
Não quero palavras bonitas sem atitudes concretas de beleza… O belo é fato, mesmo sendo relativo.
Não quero poesias apenas por diplomacia… quero ver o além…. os atos…
Não gosto de injustiças, se o oposto existe porque optar pelo erro?
Não quero multidão, quero fidelidade…
Não quero fama, quero marcas…
Não gosto de interesse, eles passam. Quero eternidade….
Não quero ser o centro… já existo e isto basta! Meus passos farão a diferença…”
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Vale pensar….
Autor: Karla Fioravante | janeiro 3, 2010
Quando algo/alguém nos ocupa muito tempo… Quando ficamos demais no mesmo lugar…. ou quando algo ou alguém se torna extremamente necessário a ponto de fazer com que nosso pensamento fique 24h ligado… É preciso mudar a rota. É preciso reconstruir um espaço…. pois, é muito tempo para se ocupar da mesma coisa! Atentemos para as compensações…
Isso passa a ser por ‘n’ coisas em nossa vida…
Temos o costume de de fixar em determinadas coisas, situações e pessoas… É preciso riorizar o tempo… Valorizar os arredores, os detalhes, os contrastes… as outras cores, outros espaços… outros outros…
Modismos ajudam até a integrar… a resgatar laços! Mas, só o essencial fica… Só o que perdura!
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Oxímoro…
Autor: Karla Fioravante | dezembro 30, 2009
A ambivalência… O contraditório! Somos um emaranhado de contrários… Ora, amamos… ora, não sabemos mais! Um dia sol, outro tempestade! Um dia braços, outros abraços! O que nos distingue de tantos outros seres vivos… O afeto! Que por tantas vezes não exteriorizamos, ou tememos vivê-lo! Os laços que tanto desejamos e não pagamos o preço para vivenciá-los! O escuro claro de nós mesmos… As contradições de nossos sins e nãos. Um sim que diz não… Um não que quer dizer sim! E o tempo vai passando, e vamos envelhecendo nossas afirmações que ao chegar a certo ponto questionaremos! É possível passar a vida inteira afirmando algo que nunca questionou! Há tantos possíveis…
Andando pelas ruas da minha infância, vi que algumas coisas nunca mudaram! Outras o ângulo mudou a passos dados na intensidade de outros caminhos… Natural? Sim… A gente cresce e os muros do colégio vão ficando menores. Alguns anos antes o víamos como imensos e intransponíveis… Hoje alguns nos parecem fáceis de ultrapassar! Outros os erguemos mais alto do que pudéssemos saltar. Os muros são do tamanho da nossa capacidade de saltá-los. Construímos alguns na altura de nosso desejo de ir além. E colocamos um nome de justificativas se não queremos saltá-los. E assim, respondemos as contradições de nossa vida com respostas superficiais tais qual o tamanho dos nossos muros! Acomodar com as situações é nossa maior fuga… É ter para onde ir! Local de conforto, voltar!
Não ando lendo livros de respostas… Aliás, acredito que nunca os busquei. Em certo ponto minha mente encontra-se vazia de conceitos! Porém, eles estão impregnados… E, por vezes me vejo vivendo as contradições. Afirmando naturalmente e parecendo um robô ensinado a repetir frases… Salve a consciência! Basta esse tipo de vivência! Não admito mais inverdades de alma! Não na/da minha… Já mentimos tanto permanecendo inerte a algumas situações. Ver notícias na TV e continuar sentada esperando a novela das 21h já é parte do conformismo da sociedade. Tá bom… Quem vai levantar e mudar? Melhor sentar num grupo de pessoas e falar como se fosse um desabafo por estar conformada! Que liberdade é essa?
Algumas pessoas nos passam uma instigante vontade de ir além, e outras um intenso medo… Avante! Ah, não! Ou não?! Oxímoros!
Ouvi pela primeira vez tal palavra no curso de pós-graduação! Como passei a vida inteira vivendo tal palavra sem saber seu nome e significado!? Técnicas… A gente vai aprendendo as técnicas das palavras para se tornarem respostas! Impressionante… Será que vai dar em algum lugar? – Sentemo-nos em nossas cadeiras e permaneçamos em nossa zona de conforto! Ou tenhamos a coragem de mudar os rumos daquilo que não nos conforma.
O ser humano é um desafio! Um emaranhado de palavras (outros não), talvez aqueles que busco no meu interior! Espelho de mim?… Será que busco apenas palavras? Não… As pessoas se revelam, já citei isso… Revelo-me também, mas… Poucos querem me ver! Melhor continuar sentados (as) à frente da TV, é mais bonito, os dentes são brancos, roupas limpas e novas! Vamos sorrir, então!…
Hora dos comerciais! [...]
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