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Fui…

Autor: Karla Fioravante | janeiro 21, 2012

A lembrança vem como tempestade (a mesma que escorre agora em minha janela)…
Arrasta-nos para lugares nunca habitados e nos modifica inteiramente, depois o tempo se desfaz. Deixa o chão molhado, a paisagem verde, e o sol volta a brilhar para que consigamos visualizar melhor e movimentar nossos dias naturalmente com sua luz. Entretanto, não nos deixou ilesos.

É…

Ouvi dizer que o trauma não é apenas aquilo que nos marca negativamente, pelo contrário pode nos marcar tão profundamente com algo inesquecível, a ponto de nada se comparar àquilo que foi vivido… Nada mesmo, eis o perigo!
Acredito que quando a vida nos coloca distâncias é mais ou menos isso. Com o passar dos dias, as dores vão mudando a intensidade e assim adaptamo-nos às perdas, nos resta a saudade…
O momento é longo, tortuoso, silencioso e um luto. Parece que nunca conseguiremos sair daquilo…

Ah, os ciclos… Sempre eles, novamente eles… Independem de mim e dos meus quereres…

Humanos e seus assuntos sem fim, tão diferentes e tão iguais. Paradoxal.
E vem o tempo, novamente o tempo! Reelaborar/reconstruir nossos espaços…
Logo, os arredores vazios vão sendo tomados… Nossos hábitos adaptados, o cotidiano sem pausas exigindo de nós novas construções. Vamos ocupando nossa mente com outras questões… E, naturalmente viramos passado.
Afinal, o que é o presente senão aquilo que em questão de segundos vira ontem? Já sei, estou redundante, isso também faz parte dos sintomas…

E mais… Eu…
Sou um quadro e um pincel… Vou pintando minha história! Aglomerando minhas paredes de cinza; assimilando novas cores; redesenhando os contornos; misturando meu dentro; imaginando o que teria por detrás daquela montanha escupida em meu primeiro desenho da infância…
Ah, como mudei…
Está vendo aquela casa onde guardei memórias, momentos, pessoas e multipliquei-me infinitamente? Bem ali, bem ali…
E o dia passa belo, ou não…
Sou aquele alguém que ontem olhava no espelho e se via fosco, turvo, quase desfigurado…
Chamam-me: – Karla!
E um susto repentino de reconhecimento de mim mesma abate minha apatia.
- Acorde!

Passou…
Mas, a luz ainda não voltou. Talvez nem volte…
Além de ser quadro, quero ser ponte para ligar dois hemisférios, misteriosamente…
Aqui jaz um território vago, espaços um pouco mais que nada, ou talvez um tanto que nem saberia descrever. O que há, não é. O que é, não fica. Foi… Fui!

 

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O mesmo…

Autor: Karla Fioravante | dezembro 27, 2011

Essa crônica foi publicada dia 22/09/2009…
Por tanto neste dentro, novamente…
(…)

Posso me sentar hoje ao seu lado e apenas ser eu?

Posso ficar em silêncio ouvindo o tempo, sem que tenhamos que ir embora?

Posso falar de mim, sem que haja um julgamento após, sem que me apontes ou diga que estou certa ou errada?

Posso sorrir sem explicar o porque? Ou ficar séria sem ter que justificar o que se passa comigo?

Posso chorar no seu ombro e pedir-te um abraço, pelo fato de crer no afeto que nos une, sem mais?

Posso reclamar, lamentar, espernear sem achar que um dia você vai repetir para eu mesma o que eu disse?

Posso te ofertar uma mão amiga quando precisares de mim?

Posso escrever o que sinto, cantar uma canção, olhar nos teus olhos ou sumir de vez em quando?

Posso ficar verborrágica, falando bobagens, contando coisas antigas, ou divagando pelo futuro?

Posso falar de inglês, filosofia, psicologia, e muito Freud, mesmo que você não entenda e mesmo que eu não saiba de nada sobre isso?

Posso cometer algum erro, vacilar, tendo a certeza que você não vai se afastar?

Posso pintar a vida com cores cinza e preto, ou de repente a colorir sem que você se surpreenda com minhas atitudes?

Posso ser mistério, ou objetiva?

Posso ser sincera sempre, honesta com o que sinto, sem que você entenda que é para seu mal?

Posso ficar brava, fazer dengo, ficar de birra, ser teimosa?

Posso ter medo sem que você me julgue fraca?

Posso não ter tempo ou ter muito tempo?

Posso ser presente, ausente, constante ou inconstante?

Posso mudar de idéia, escolher outro caminho, traçar novas metas, cantar outras canções sabendo que posso contar com você?

Posso me revoltar, me magoar, estressar no trânsito, andar devagar, atrasar, ou adiantar que sei que vais me esperar e entender?

Posso esperar não ser cobrada, sentir sua falta e não dizer nada?

Posso fechar os olhos e confiar no que me dizes?

Posso abrir a porta? – Aonde está a chave?

(…)

 

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Qual?

Autor: Karla Fioravante | dezembro 27, 2011

No decorrer destes dias (de “festas”) fiquei pensando em situações de pessoas conhecidas ou não, que vivem fatos/situações que as enobrecem.

Pensei nas histórias de vida de tantos rostos…
E o que são traduzidas em experiências de vida… No passado ou no presente… Em algum lugar ou momento…

O semblante de uma pessoa que trabalhou anos numa empresa e é dispensado sem aviso prévio…
Um alcoólatra que ficou cirrótico e precisou de um transplante por não conseguir deixar o vício…
Um pai que com o suor do seu rosto trabalhou corajosamente para nunca faltar nada aos filhos… Os “formou” e hoje respira tranquilo, pois estes caminham sozinhos…
Uma mãe que passou noites a fio enquanto aquela febre não passava…

Alguém que recebe um salário mínimo e precisa do mesmo valor para alimentar-se, comprar remédios, pagar cuidadores e plano de saúde, pois idoso ninguém mais emprega… (…)
Pais que perderam filhos em acidentes, onde o ultimo beijo foi a despedida para uma festa com amigos…
Um filho que não conheceu sua mãe, porque esta morreu ao dar-lhe a vida…
Filhos que precisam ser pais, pois estes vivem causando problemas por desestrutura…
Aqueles que precisavam trabalhar cedo para ajudar os pais que não possuem bens e condições e o mercado de trabalho exige e engole os menos favorecidos…

Os que lutaram sozinhos, pois desde cedo nunca teve ninguém por eles..

Doentes crônicos em leitos de hospitais, sem esperança…
Idosos em asilos, cujo os filhos nunca mais os visitaram…
Vitimas de agressões, sejam elas psicológicas ou físicas…

Pessoas que venceram honestamente…
Pessoas que se derrotaram por ganância…

Pessoas que nos são vida…
Outras que nos rouba a vida…

Sujeitos, indivíduos, gente, filhos, irmãos… Pessoas…

E, você? Qual é sua história?

 

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Descubra/ser

Autor: Karla Fioravante | novembro 5, 2011

O ser… Há quanto o trago nos meus escritos, o quanto o leio em outros, quantas teorias sobre, pensamentos, filosofias… Sofia!
Importa o ser para si, o ser em si… Ser consigo! E isso já é um processo de vida…
Na pratica somos um currículo… Na essência somos. Conciliamos os dois. Existimos e somos. Ou?
Ser sem existir, existir sem ser… Ser e existir… Há mais!?
Ouvimos que somos especiais, importantes, únicos… Somos? Solicitamos ser? Precisamos? Urgência…
- Por favor, traga-me um “seja” com sal e açúcar?
A quem pedimos?… Ser não cabe em delivery. Nem se recebe por e-mail, nem em correntes etc.
Ser é próprio de quem é. Se não é, como pode ser?
Hum, clareza? Objetividade…
Não somos copias de ninguém, apesar de nossa carga genética… E esse encontro de ser conosco não é adquirido. É o próprio mergulho no caos de nosso dentro.
Cansou!? Pois, bem… Ser exige ser.
Todas as vezes que usamos a palavra – somos – realmente estamos sendo?

Reflita…

(…)

Gostamos de respostas prontas, não é? Vamos ouvir Fulano e ele nos trará a solução de todos os nossos conflitos. Vamos assistir ao Beltrano e saberemos como agir. Leremos Ciclano e seremos felizes em mil maneiras… Isto é ser?
É visível o mercado dos modelos perfeitos…

Há identificações, referências e por aí vai… Mas, é relevante observarmos e sabermos que não somos o outro, é preciso observar de forma inteligente (ser) o que é meu e o que é do outro… O que SOU eu nisso tudo…

Longe de mim auto/ajuda… Sou des/crente disso, confesso…

Ahh, mas vende, heim? Dá ibope… Exageros rendem! Vende-se ser!

Interessante…. Chego a conclusão de que a preguiça existe, mesmo tendo consciência que nos foi dado o raciocínio e isso nos difere dos demais seres vivos.

Descubra-ser!

 

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Onde canta o sabiá…

Autor: Karla Fioravante | outubro 20, 2011

Minha terra tem palmeiras… (Gonçalves Dias, in Canção do exílio)

Observando jeitos e gestos, comungo da sentença de que somos e seremos sempre filhos das nossas gerações, trazendo toda a sua hereditariedade, complexidade e raízes. Demoramos talvez, uma vida inteira para constatarmos isso… Nem bom, nem ruim. É!
Vivemos ate certo ponto agradando vontades alheias, fazendo “como manda o figurino” e “tapando o sol com a peneira”… Até certa vez nos distanciarmos das nossas rotinas e começarmos a viver a nossa vida, sem culpa.
Esse sentimento de culpa que Freud já dizia ser um mal estar… E o é! Carregamos até naquilo onde não temos nem participação… Impressionante como fica na mente acusando, acusando… Religiosamente tem outro nome, mas independente da denominação não conheço alguém livre deles.
Vejam, nosso conhecido e tão sabido: freio! Pare… Stop! Vermelho…
Significados aos símbolos… E na mente possui analógicamente o sistema de. Já estamos acostumados a negar. Primeiro vem: não! Depois, vamos pensar sobre… A abstração demora outros anos… Logo, concluo que o desconhecido nem é tão negro. Depende do tamanho dos nossos abismos…
Turbinamos nossa mente de outrossins, assim vamos dando (ou perdendo) tempo para nossas abstrações.
Interessante observar o medo do silencio… Ah, sim… Antes do silencio vem o medo. Aquele relógio contando os segundos é apavorante. Tente observar o relógio em silencio, e tão logo sua mente já estará programada à alguma atitude. Não conseguimos.
Precisamos executar atividades, nossa existência custa caro… Produzir, vamos!
Somos vencidos pelo cansaço…
Admiro as rotinas que são criadas e respeito suas historias…
Todas as vezes que venho para o silencio, vejo um senhor sentado à porta da sua casa com uma cadeira azul já meio desbotada. Uma história cansada… Ele cabisbaixo espera o sol nascer e se esconder, diariamente… Até um dia, não mais ser…
Vida bela, vida estranha… Onde nascemos com a certeza que morreremos… Onde entre umas e outras perdemos quem amamos e para isso não precisaremos de grandes castelos.
Duro pensar no coletivo individual da vida…
Nascemos sozinhos, morreremos assim. Sofremos sozinhos, nos alegramos também…
Mesmo com toda história… Quando fechamos os olhos só nós saberemos nossos sonhos… Podemos compartilhar, é… Mas, algumas sensações continuarão indescritíveis…

 

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Hum!… Dois.

Autor: Karla Fioravante | outubro 18, 2011

Me contrariem.. Não concordem sempre comigo. Me mostrem os contrários! Não quero provas, quero apenas que tenham a capacidade de contrariar. Com conteúdo, claro!
O que falo não é lei. Pouco acredito nelas, dirá determinar algo. Me agucem… Me instiguem vontades… Não estou falando de verdades…
Um universo em monologo não acresce… O discurso é didático. Não quero ovelhas, nem rebanho, quero pensamentos, ideias…
O meu querer é uma busca? Pode ser, mas longe de certo e errado…

Porém…
As vezes me sinto sufocada… Assediada. Será que em algum momento causo isso nas pessoas? Sinceramente, não faz meu tipo… Detestaria saber que causo isso…
Em determinados momentos preciso e quero solidão… Não por causa de alguém, ou porque alguém me magoou. Não… Eu preciso estar a sós comigo, nada mais… Preciso me afastar até dos que me querem bem… É, parece estranho, mas sou eu.
Gosto das distâncias, não calculadas, mas aquelas que me entendem…
O tempo todo e a todo tempo é cansativo… Os vazios são nobres. Não gosto do super/habitado… Gosto dos vãos, dos espaços… Do despido respiro. Ah, se eu puder respirar despidamente, melhor… Se não, me dêem espaços para respirar…

Estranho ser… Mas, descaradamente… Não tentem ler meus espaços, nem tentem adivinhar meus pensamentos e entrelinhas. Pode ser fundo, e causar escuridão alheia… Afinal, por mais raso que alguém possa ser, ate o raso tem fundo… Quiçá o profundo…

(suspiro)

Não dirijo tais palavras a alguém… Por favor, sem “pitis” e egocentrismo… Costumo ser direta, bem sabemos… Ou melhor, subjetivemos…

Ambígua? Ah… Sou assim também… Permitam-me!?

 

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Voe

Autor: Karla Fioravante | outubro 11, 2011

Alma tem cor? Deve ser clara… Lembrar luz ou algo tão belo que ofusque nossa visão. Nada palpável.
Alma é abstrata? Posso ver? Tocar? Sentir?…
(sorriso)
Por que tantas vezes olhamos para alguém e parece que já conhecemos há anos, e é identificação com um passado que não existiu, mas aquela pessoa nos sabe? Como é possível a empatia ser tanta que de imediato nos debulhamos, contamos nossa história como se fossemos protagonistas de um filme com apenas um expectador? E… sentimos como se ninguém mais precisasse saber…
Somos verso, prosa. Poetizamos. Uma sede de que as palavras mostrem o que nos é dentro. Encontros de almas… Daremos nomes? Rotularemos? Se assim for, poderemos reduzi-los.
Ah! Essa nossa mania de querer entender tudo, dar nome a tudo, prever tudo nos rouba tempo de viver.
Almas são atemporais. Não sabemos quando, nem onde, nem como…
Nossa vida seria um caos se não nos sentíssemos “provocados” pelo movimento dos encontros.
Talvez seja isso que falte na vida de tantas pessoas, essa capacidade de deixar que a alma voe para onde quer. Não é na obrigação, no controle, na busca… E, sim na liberdade de não conceituar, racionalizar…
“Amar é estar distraído”. É F. Pessoa… Uma alma distraída é capaz de amar, voar… Ser!
A dor arma. O sofrimento arma…
Deve ser por isso que tantos passarinhos livres não saem de suas gaiolas. Os medos os prenderam…
(…)
Gosto de ser chamada de pessoa, simplesmente pessoa…
Sentir-me pessoa e assim ter a alma para ser pássaro…

 

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A noite…

Autor: Karla Fioravante | outubro 7, 2011

À noite me trouxe um nome: Saudade!
Não é aquela que o tempo denomina de comum e sim o que a alma denomina de ausência, que não é suprida pelo constante do dia a dia…
Aquilo que a esperança denomina: espaço habitado! Eis um pertencer, sem amarras. Um prender-se sem aprisionar.
Um anseio de que as horas perpetuem…
Eu ainda sinto saudades…
De repente um sopro invade o dia, um vento que traz de volta aquilo que a mente mentiu ser passado.
Há um universo em mim. Espaços de saudades. Lugares habitados. Desconhecidos. Inacabados…

 

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Tempo e questão…

Autor: Karla Fioravante | setembro 29, 2011

Sofrer com a falta de tempo, tantas vezes é conformar-se em perder a própria alma. Amamos apressadamente, nos apaixonamos apressadamente, sorrimos apressadamente… Nossas intensidades mudam logo o foco. Buscamos super/estimular as ocasiões em nós… E percebemos que tudo passa rápido demais. Vivemos como um motor com vida útil determinada.
Quanto mais velhos ficamos, aprendemos a diferenciar e selecionar os momentos, mas as paixões continuam angustiadas e cresce em nosso íntimo a ideia de que a felicidade não existe. As emoções que fazem parte da nossa essência não mudam, mas são encobertas e os sentimentos que nos são raros e verdadeiros vivem independentes ao tempo, porém não são o agora e se o são passam despercebidos a nós quando não temos tempo para usufruir deles em nosso imediatismo.
Nada nos parece mais constringente do que as limitações do tempo. Será que estamos preparados para viver o tempo que é proporcionado a nós hoje? Afinal, o que é o tempo? Me posto a dizer: algo não controlável. Assim como os sentimentos. Se ambos não são passíveis de controle, logo viveremos ambos fora das limitações. Limitar o tempo? Limitar os sentimentos?
Obviamente os abstratos nos desconcertam. Como o querer que um momento se estenda, um amor perdure. É como se no filme de nossas vidas possamos deslocar a cena para o fim da tarde. Esperamos entardecer para que assim o momento vivido seja ímpar e possamos rememorá-lo. E aquilo permeia nosso eterno minuto. Tempo mocinho, tempo bandido.
Ora, o tempo é uma patologia da atualidade?
Vamos nos relacionando com o futuro. Entre tantos percalços do hoje, o que nos prende é o que será. Há uma profunda inquietude em nós – a perda de tempo – acordados ou adormecidos vivemos na superfície para um grande outro dia chegar. E vamos des/sentindo nosso hoje.
Quando eu me formar. Quando nos encontrarmos. Quando combinarmos aquele passeio. Quando… Quando… Quando?
Estamos cegos; surdos; mudos? Ou é a busca desenfreada pelo amanhã que nos faz esquecer a função do tempo?…
Futuro é imaginação. Faz parte de uma mentira ansiosa que acreditamos piamente ser a fonte de todas respostas para um/o melhor. Esperança pertence ao futuro.
Tempo fluente, ligado no piloto automático. Pare.
Nada tem mais valor do que o primeiro olhar. Suaves olhos brilhantes. O ver é hoje. Não o amanhã. Nada tem mais brilho que o sorriso, é luminoso. O sorriso é o hoje.
Possamos lembrar o ontem, ainda que passado para saber o que nos formou, moldou, estruturou. Mas, não paramos nele. Ontem é o nosso hoje bem vivido. É o hoje que nos permite ser. Não apenas estar. Não construamos as superfícies. Passado é consciência.
Olhar o rio… Há como prender a correnteza? Não somos muros.
Somos realidades, ainda que sonhadas. Mortais. A morte é fato. A vida assim já o é. Viva. Sinta. Seja.

 

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Seja…

Autor: Karla Fioravante | agosto 29, 2011

Trace objetivos, não deixe a vida passar por passar!…

Viaje, estude, leia, corra, brinque, cante, encante, comece, recomece, perdoe, ame, faça algo inusitado, surpreenda-se, aprenda, apreenda, olhe, observe, saboreie, perfume-se, visite um amigo que há anos não vê, ligue para alguém distante, escreva uma carta, abrace, beije, expresse-se, silencie, renove-se, compreenda, sorria, chore, trabalhe, guarde algo significante, jogue fora algo que lhe faz mal, tire fotos, escale montanhas, ande de bicicleta, faça natação, mergulhe, tire férias, navegue, conheça, reconheça, encontre, reencontre, compre flores, plante uma árvore, dê um presente… (suspiro)

Há tanto pra viver…

Sinta, não apenas viva!

Seja, não apenas exista!

 

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